A aprendizagem socioemocional é uma valiosa aliada contra esse tipo de agressão
Com a tecnologia cada vez mais presente na sociedade, agressões como humilhações e xingamentos entre crianças e adolescentes, antes mais restritas à sala de aula, acontecem também no meio digital. É o chamado cyberbullying. A ação é caracterizada quando há depreciação, incitação à violência, adulteração de fotos e dados pessoais com o intuito de criar meios de constrangimento psicossocial.
Segundo a legislação brasileira, quando há intimidação sistemática realizada por meio da internet, rede social, aplicativos, jogos on-line ou transmitida em tempo real, a pena será de reclusão de dois a quatro anos, e multa, se a conduta não constituir crime mais grave.
Apesar de acontecer fora do ambiente escolar, a instituição não pode ser omissa ao cyberbullying. Mas como lidar com a questão, tão complexa e nova? Para Tania Fontolan, ex-diretora geral do Programa Semente, a escola deve incorporar a questão no projeto de formação. “As relações sociais saudáveis fazem parte do escopo de socialização, parte importante da atuação da escola”, afirma. Para isso, é recomendável que a instituição desenvolva estratégias que aliem informações objetivas sobre as consequências da prática do cyberbullying à internalização das razões pelas quais não se deve agredir outras pessoas.
Empatia e autocontrole
Uma preciosa aliada nesse processo é a abordagem das habilidades socioemocionais, como a empatia e o autocontrole. “Se o aluno é capaz de se colocar no lugar do outro, ele não praticará nenhum tipo de bullying porque não gostaria de sofrê-lo”, diz Tania. Já a auto regulação ajudará a criança e o adolescente a controlar o impulso de publicar nas redes, avaliando antes as consequências do ato. “Muitas pessoas se arrependem do que fizeram minutos depois de terem publicado algo. São casos típicos em que o autocontrole teria evitado a agressão”, ressalta a educadora.
A depender da gravidade da situação, os pais de quem praticou e de quem sofreu o cyberbullying podem ser chamados para uma conversa. Nesse momento, segundo Tania, a escola deve considerar a idade dos alunos envolvidos (quanto mais novos, mais rápida precisa ser a conversa) e a atitude deles depois de feita a primeira abordagem. "É desejável que eles sejam capazes de resolver a situação entre si, mas se há indícios de que a prática vai continuar ou de que a vítima não vai conseguir lidar sozinha com a situação, é necessário envolver e orientar as famílias.”
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