É possível ter momentos de intersecção com matérias como português e matemática
A aprendizagem socioemocional pode dialogar com o ensino de disciplinas como português e matemática. Quando isso é realizado, o estudante ganha dos dois lados: ao mesmo tempo em que melhora o desempenho no conteúdo tradicional, também desenvolve habilidades como resiliência e controle da ansiedade, por exemplo. Essa intersecção é positiva para alunos e professores. Segundo Eduardo Calbucci, um dos criadores do Programa Semente, a união dos conhecimentos pode facilitar a aquisição do conhecimento. “A princípio, é um desafio. Mas é possível desmistificar essa barreira e ligar os pontos entre os saberes. Só de o aluno aprender a controlar a ansiedade por meio do conhecimento socioemocional, ele já perceberá benefícios acadêmicos”, comenta o professor.
Compreender a realidade
Em relação a português, um dos primeiros pontos ensinados no processo de alfabetização é que a aprendizagem acontece quando o estudante se torna capaz de dar nome aos objetos de estudo. Primeiro, é preciso dominar a palavra, para, depois, usá-la na interpretação da realidade. O aluno que não sabe o que é adjetivo ou verbo, por exemplo, dificilmente irá entender uma aula de português. “O mesmo pode se dizer em matéria de autoconhecimento. Nomeiam-se emoções como medo e ansiedade, para o estudante então enxergar a possibilidade de compreender melhor sua realidade”, ressalta Calbucci.
Calculando possibilidades
Em relação à matemática, o estudante pode usar a complexidade dos números e cálculos para furar a bolha onde vive e entender a realidade do mundo além do que o cerca. “Quando o jovem quer algo, ele fala que todo mundo tem, ou todo mundo faz. O professor então pode buscar dados estatísticos. Qual o percentual da população que tem ou fez tal coisa? Será que todo mundo faz mesmo? ”, questiona Calbucci. Assim, o aluno pode perceber que um comportamento que ele acreditava ser comum é, na verdade, incomum para a maior parte da população. Essa reflexão, segundo o professor, pode ser usada, por exemplo, para falar de desperdício de alimentos, calculando quantidades de produtos produzidos e consumidos em cada região do mundo e em cada estrato social, o que pode ajudar a expor a desigualdade entre as regiões e os países, ao mesmo tempo em que são desenvolvidas as habilidades socioemocionais.