Reconhecer e saber lidar com outras visões de mundo é essencial para promover o conhecimento e melhorar a argumentação
O ensino das emoções pode colaborar para a argumentação e para a melhoria do diálogo. E isso vale para os mais diversos assuntos. Como a aprendizagem socioemocional estimula a empatia, que significa basicamente entender o ponto de vista do outro, os jovens aprendem a escutar. Se sabe ouvir, o nível do debate é elevado.
A palavra empatia tem uma etimologia interessante. Ela vem do grego páthos (emoção, paixão) e do elemento em (colocar para dentro). Portanto, ser empático é colocar a emoção do outro para dentro, compreendendo o ponto de vista das outras pessoas, percebendo suas dificuldades. “Sentir a dor do outro é um passo importante para desenvolver argumentos que levem em conta a complexidade do mundo”, afirma Eduardo Calbucci, professor e um dos fundadores do Programa Semente.
Segundo o professor, reconhecer e saber lidar com outras visões de mundo é essencial para promover o conhecimento e melhorar a argumentação. “Ao aprender a lidar melhor com minhas emoções, preparo-me para tomar melhores decisões. ”O filósofo alemão Immanuel Kant afirma que os pensamentos sem conteúdo são vazios, enquanto as intuições sem conceitos são cegas.
Nesse sentido, o Programa Semente, por meio da aprendizagem socioemocional, auxilia no desenvolvimento de duas fontes de conhecimento do sujeito: a sensibilidade, por meio da qual os objetos são dados por intuição, e o entendimento, em que os objetos são pensados por meio de conceitos.
Dessa forma, o Programa Semente se desdobra em reflexões do cotidiano dos alunos quando aparecem situações de debate e conflito. “Por meio da empatia, podemos formar cidadãos mais conscientes e, consequentemente, mais aptos a dialogar uns com os outros”, conclui Calbucci.