Habilidade, que envolve equilíbrio entre emoções positivas, sentido da vida e realizações pessoais, pode ser desenvolvida ao longo dos anos
O Dia Internacional da Felicidade, celebrado em 20 de março, foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2012, para ressaltar que a felicidade e o bem-estar são metas universais e devem ser reconhecidas nas políticas públicas.
De acordo com a ONU, governos e organizações internacionais devem investir em ações que apoiem a felicidade, como a erradicação da pobreza, a redução das desigualdades e a preservação do planeta, entre outros Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
No ambiente escolar, atividades intencionais e planejadas para o desenvolvimento socioemocional dos alunos, que favorecem o autoconhecimento, a regulação das emoções e as relações interpessoais, são importantes para a promoção da felicidade e do bem-estar.
Sandra Dedeschi, diretora de conteúdo da Semente Educação, dá exemplos. “Quando uma criança ou adolescente consegue identificar algo que lhe deu alegria, naturalmente vai promover seu bem-estar. Quando damos a oportunidade de a turma reconhecer suas conquistas e comemorá-las, favorecemos uma importante competência da família do Engajamento com os outros, o entusiasmo, que é a capacidade de perceber, viver e compartilhar emoções agradáveis com outras pessoas”.
Segundo ela, que também é Mestre em Psicologia Educacional, um ponto importante é a percepção de sentimentos positivos ao longo do dia a dia. “Uma forma de treinar o olhar para perceber quando acontece algo que nos faz bem e nos gera satisfação é a prática da gratidão”, aponta.
A capacidade de admirar o belo, as atitudes das pessoas que nos cercam e as nossas conquistas também podem despertar satisfação. “É muito enriquecedor e produtivo incentivar o olhar sensível nas crianças e nos adolescentes. Essa habilidade ajudará que reconheçam pelo que podem ser gratos”.
O papel dos educadores na promoção da felicidade
Para um trabalho coerente, planejado e intencional, é fundamental a formação dos professores, que devem compreender a relevância do desenvolvimento socioemocional e seus benefícios para o bem-estar. Os profissionais em atuação hoje não tiveram conteúdos dessa natureza em seus cursos de graduação ou mesmo em especializações.
A assessora pedagógica acrescenta que a formação é importante não apenas considerando os alunos e alunas, mas também os benefícios para a própria saúde mental e felicidade dos profissionais da educação. “Promover em sala de aula um ambiente positivo, incentivando relações assertivas, respeitosas e empáticas, favorece a convivência do grupo, e os educadores, como mediadores das turmas, têm importante papel nesse processo”, ressalta Sandra.
E isso não quer dizer que os problemas não acontecerão. “No entanto, a maneira como as intervenções são realizadas fará toda a diferença na forma como os estudantes vão lidar com suas emoções, refletir sobre as situações e buscar soluções para os problemas”, completa.
Reflexões sobre felicidade e bem-estar
Sandra diz que a felicidade ainda é vista como sinônimo de ter momentos felizes, geralmente relacionados a prazeres e conquistas materiais. No entanto, a ciência vem se debruçando para compreender melhor o tema e sua relação com a saúde mental das pessoas.
“Segundo Martin Seligman, importante pesquisador da Psicologia Positiva, o bem-estar vai além da simples felicidade momentânea e envolve um equilíbrio entre as emoções positivas, os relacionamentos, o sentido que atribuímos à vida e às realizações pessoais”, explica. “Assim, podemos compreender a felicidade no seu sentido mais amplo, como uma habilidade que pode ser desenvolvida ao longo de toda a vida. Podemos aprender, por meio de diversas técnicas, como lidar com emoções desagradáveis e promover bem-estar”.
A assessora lembra que as crianças e adolescentes passam boa parte de seus dias na escola, relacionando-se com seus pares e com os adultos que exercem papel de autoridades. Na convivência diária, são expostos a situações agradáveis, que despertam alegria e satisfação, mas também vivem conflitos e situações indesejáveis.
“Considerando esse cenário, é necessário que as escolas promovam espaços de diálogo e atividades intencionais para que os estudantes aprendam a conhecer e modular suas emoções, desenvolver a capacidade de flexibilizar seus pensamentos, manter uma convivência saudável uns com os outros e compreender a importância de fazer escolhas responsáveis. Tais aspectos são a base do processo de aprendizagem socioemocional”.